terça-feira, 20 de junho de 2017

Bela Lugosi


Bela Lugosi nasceu como Béla Ferenc Dezsõ Blaskó em 20 de outubro de 1882 em Lugos, na Hungria, que era então parte do Império Austro-Húngaro. Seu local de nascimento estava apenas cerca de cinquenta quilômetros de distância da fronteira ocidental da Transilvânia e do Castelo Poenari, a lendária casa de Vlad, o Empalador, o Drácula histórico, a quem Lugosi iria retratar com grande sucesso no teatro e no cinema.

Bela fugiu de casa com 11 anos, abandonou a escola e engajou-se no trabalho de mineração. Na adolescência começou a atuar em pequenas companhias teatrais. Ao longo da primeira década do século 20, ele percorreu o Império Austro-Húngaro realizando varias peças clássicas como "Romeu e Julieta", "Hamlet" e "Richard III".  O caminho mais comum o guiou do teatro para o cinema mudo húngaro, e ele acabou adotando o nome "Lugosi" como uma referência ao seu local de nascimento "Lugos".

Porém, teve que interromper seu início de atividades graças à Primeira Guerra Mundial. Há boatos de que ele tenha sido ferido três vezes, assim causando sua futura dependência em morfina para aliviar as dores que o seguiram por sua vida inteira. Após ser liberado do serviço militar, teve uma vida conturbada, casou-se pela primeira de cinco vezes e saiu da Hungria por conta das suas opiniões políticas. Se refugiou na Alemanha, por pouco tempo, para depois migrar para o país onde conseguiu alcançar a fama: os Estados Unidos. 

Bela participou do teatro na comunidade húngaro-americana e após algum tempo ganhou a oportunidade de interpretar Drácula, numa adaptação teatral escrita por John Balderston. Sua interpretação única e assustadora nesta peça foi que abriu as portas para seu estrelato no cinema. O diretor Tod Browing descobriu Bela e o chamou para interpretar o vampiro em sua versão cinematográfica de Drácula (estava cotado para o papel de Drácula o ator Lon Chaney, mas ele acabou falecendo pouco tempo antes). Este papel lhe deu estrelato e ao mesmo tempo o marcou como "um ator de um só papel".

Ao longo da década de 1930, Bela foi estigmatizado como um vilão dos filmes de terror de Hollywood, fazendo papéis de monstros, assassinos e cientistas loucos em dezenas de filmes "B". Os diversos papeis representados por Bela e sua grande participação em filmes durante a década de 1930, o fez como uma das primeiras grandes estrelas do gênero horror da época. No entanto, ao longo de toda a sua carreira Bela foi frustrado por sua incapacidade de romper em outros tipos de filmes. "Estou definitivamente condenado a ser um expoente do mal", disse ele.

A partir da década de 40, sua carreira começou a sofrer forte declínio, com bons papeis se tornando cada vez mais escassos. Também começou a sofrer mais acentuadamente de uma forte dor na perna, problema iniciado durante sua participação na Guerra.  Alem dos problemas de saúde, também se encontrava com problemas financeiros. Quando já estava esquecido, quase na pobreza, o ator húngaro foi encontrado pelo diretor de filmes “B” Ed Wood, grande fã de seu trabalho. Diz-se que Ed Wood arcou com vários custos de internação de Bela, que estava consumido pelo vício em morfina.

Em condições quase amadoras, trabalhou como narrador do filme “Glen or Glenda” (1953) e como um cientista louco (parodiando Victor Frankenstein) em “Bride of the Monster” (1955). Na fase de pós-produção do filme, foi tratar de sua dependência de drogas. Querido pela equipe, a première do filme foi usada para pagar suas despesas hospitalares. Frank Sinatra também o teria ajudado nessa fase. Em 1955, começou a trabalhar em um novo projeto de Wood, “The Goul Goes West”. Com a famosa capa de Drácula, os dois chegaram a rodar algumas cenas, sem roteiro definido na frente de seu apartamento. Essas filmagens acabaram resultando no clássico do cinema B “Plan 9 from Outer Space”, em que boa parte foi rodada após a morte do ator.

Bela Lugosi morreu dormindo em 16/08/1956 com 73 anos de idade em seu pequeno apartamento em Harold Way (Hollywood) devido a um ataque cardíaco provocado pelo uso abusivo de medicamentos e morfina durante anos. Ele foi sepultado vestindo sua famosa capa de Drácula, a qual usou em grande parte de sua vida em seus papéis do famoso e imortal vampiro. Bela Lugosi é um ícone sagrado do terror e sempre será lembrado como o eterno Drácula.

Filmografia disponível no blog:



















Bela Lugosi Meets a Brooklyn Gorilla


Ano: 1952
Direção: William Beaudine
Duração: 74 minutos
Gênero: Terror/Comédia
Cor: Preto e Branco

Conhecido também como "O Satânico Dr. Zabor" no Brasil, o filme foi uma tentativa de tirar vantagem das comédias de Dean Martin e Jerry Lewis (famosos comediantes na época) é considerado um dos piores filmes de todos os tempos. Bela Lugosi chegou ao fundo do poço com essa bagaceira trash, superando até os filmes com o Ed Wood. 


Sinopse: No caminho para se apresentar em Guam para as tropas, os artistas Duke Mitchell e Sammy Petrillo encontram-se encalhados numa ilha aparentemente traiçoeira. Os nativos são bastante amigáveis, especialmente Nona, a filha do chefe tribal, que tenta ajudar os dois a saírem da ilha. Embora o Paraíso tenha sido encontrado por enquanto, a dupla logo descobre que um cientista louco chamado Dr. Zabor (Bela Lugosi) vive do outro lado da ilha e faz bizarros experimentos envolvendo seres humanos e símios.


Arquivo: AVI
Tamanho: 642 MB
Idioma: Inglês
Legenda: PT-BR

The Body Snatcher


Ano: 1945
Direção: Robert Wise
Duração: 78 minutos
Gênero: Terror
Cor: Preto e Branco

Clássico do terror que conta com a lendária dupla Lugosi/Karloff, foi produzido por Val Lewton, um importante produtor que ficou famoso por ter realizado grandes obras primas do terror na década de 40. 


Sinopse: O Dr. Toddy MacFarlane precisa de cadáveres para suas experiências médicas. Pela dificuldade em obtê-los, recruta ajudantes para desenterrá-los do cemitério. Quando o assistente de MacFarlane reconhece um dos corpos, a origem deles é questionada.


A fotografia do filme é um puro deleite do macabro e do horror. Utilizando recursos de luz e sombra, típicos do cinema noir, o filme consegue passar toda a atmosfera claustrofóbica e sombria da cidade, em especial nas cenas de “caça” de Gray. E Bela Lugosi tem sua participação, que é pequena mas vale pelo todo do filme. Na pele de Joseph, empregado da casa de MacFarlane, a personagem de Lugosi participa de uma das melhores cenas do longa, um embate com Karloff para deixar os fãs do terror deslumbrados e extasiados ao assistirem dois ícones do cinema de terror, digladiando-se numa luta de monstros sagrados do horror clássico.


Arquivo: AVI
Tamanho: 1,8 GB
Idioma: Inglês
Legenda: PT-BR

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Bride of the Monster


Ano: 1955
Direção: Ed Wood
Duração: 70 minutos
Gênero: Terror
Cor: Preto e Branco

Filme de terror/sci-fi trazendo mais uma vez a dupla Ed Wood e Bela Lugosi, parceria que rendeu três filmes, e esse é considerado o melhor (ou menos pior) dos três.


Sinopse: Bela Lugosi é o Dr. Eric Varnoff, um cientista determinado a aperfeiçoar um raio atômico capaz de transformar pessoas em super-humanos. Ao realizar experiências com um polvo, este sai de controle e acaba matando pessoas, chamando assim a atenção das autoridades.


As dificuldades da filmagem das cenas do polvo (o polvo mecânico havia sido utilizado em "No Rastro da Bruxa Vermelha", com John Wayne, e foi roubado por Ed e seus asseclas... mas esqueceram de roubar o motor que movia os tentáculos) foram muito bem mostradas na bela biografia do diretor feita por Tim Burton, Ed Wood de 1994, com um jovem Johnny Depp no papel de Wood.


Cena do filme Ed Wood de Tim Burton


Arquivo: AVI
Tamanho: 681 MB
Idioma: Inglês
Legenda: PT-BR

terça-feira, 13 de junho de 2017

Glen or Glenda


Ano: 1953
Direção: Ed Wood
Duração: 68 minutos
Gênero: Exploitation 
Cor: Preto e Branco

Filme do gênero exploitation em tom de documentário, escrito e dirigido por Ed Wood, com a participação do lendário ator Bela Lugosi já em fim de carreira. Ed Wood é considerado como o pior diretor do cinema e Glen or Glenda é sempre citado como um dos piores filmes da história, embora com o tempo ganhasse a fama de cult.


Sinopse: Glen tem o hábito de se vestir de mulher, mas teme que sua noiva saiba disto. Alan é um pseudo-hermafrodita que deseja fazer uma operação para se tornar uma mulher. Estas histórias são narradas pelo dr. Alton, que acompanhou ambos os casos.


A cirurgia de mudança de sexo de Christine Jorgensen que ganhou as manchetes dos periódicos nacionais dos Estados Unidos em 1952 foi a inspiração para o produtor George Weiss resolver financiar um filme para faturar com o fato. Wood convenceu Weiss que ele era o melhor para dirigir o filme (Wood se travestia de mulher na vida real). Contudo, o filme falava sobre travestis, diferente do encomendado. Wood então colocou cenas extras sobre a cirurgia de mudança de sexo.


Esse foi o único filme dirigido por Wood que não foi produzido por ele mesmo. Ele convenceu Lugosi, na época empobrecido e decadente, a aparecer no filme. Wood interpretou o personagem-título, mas nos letreiros usou o pseudônimo de "Daniel Davis". Sua namorada Dolores Fuller interpreta a namorada de Glen. Fuller não foi avisada do travestismo de Wood, nem conhecia detalhes do roteiro. Wood raramente se vestia de mulher quando ela estava no set. Quando Fuller assistiu ao filme, disse que ficou humilhada com a experiência.


Arquivo: AVI
Tamanho: 667 MB
Idioma: Inglês
Legenda: PT-BR

Creature from the Black Lagoon


Ano: 1954
Direção: Jack Arnold
Duração: 79 minutos
Gênero: Terror
Cor: Preto e Branco

 O Monstro da Lagoa Negra é o último grande filme de monstro da Universal, que se consagrou como a Casa dos Monstros nas décadas de 30 e 40.


Sinopse: Na Amazônia Brasileira Carl Maia, um pesquisador, fotografa o que parece ser a nadadeira de um anfíbio que talvez estivesse extinto. Mas o que ninguém nota é a presença discreta de uma criatura com o mesmo tipo de nadadeira, que está bem viva e próxima a eles. Carl viaja para mostrar sua descoberta e obter apoio financeiro. Ao retornar com outros pesquisadores, vê horrorizado que foram mortos dois funcionários dele que ficaram no acampamento. Achando que podem ter mais sorte em outro local, eles rumam para a Lagoa Negra. Lá acham uma misteriosa criatura anfíbia, que pode ser o elo perdido entre duas espécies (uma aquática e outra terrestre). A criatura se mostra hostil e acaba atacando os membros da expedição.


As ótimas sequências aquáticas envolvendo as lutas entre os pesquisadores e o monstro anfíbio, interpretado por Ricou Browning (em terra o papel da criatura era de Ben Chapman, que faleceu em 2008), e criado por Bud Westmore e Jack Keran, são os grandes destaques do filme, além do interessante roteiro baseado em uma história de Maurice Zimm, criando o monstro da lagoa negra, um dos personagens mais importantes e icônicos da história do horror e que juntou-se à galeria já formada por outros monstros clássicos como Drácula, Frankenstein, A Múmia entre outros. 


Arquivo: MKV
Tamanho: 2,7 GB
Idioma: Inglês
Legenda: PT-BR




segunda-feira, 12 de junho de 2017

Conrad Veidt


Hans Walter Konrad Veidt, mais conhecido como Conrad Veidt, foi um ator alemão naturalizado britânico, ele foi um dos atores de maior destaque entre as décadas de 20 e 40. Tornou-se célebre por seus papéis em filmes como O Gabinete do Dr. Caligari (1920) e O Homem que Ri (1928) que inspirou a criação do Coringa, vilão dos quadrinhos do Batman.

Ele nasceu em 22 de janeiro de 1893. O local do nascimento não é certo. Algumas fontes citam Berlim, outras Brandemburgo. Mas o certo é que ele cresceu em bairros pobres de Berlim. Não era um aluno exemplar, e em 1912 abandonou os estudos para se dedicar ao teatro. 

A grande guerra interrompeu sua carreira durante dois anos. Recrutado para o exército alemão, contraiu icterícia e foi afastado definitivamente em 1916. Pode então retornar aos palcos, onde se desenvolveu como ator. Este ano marcou também uma mudança significativa em sua vida, quando, por motivos financeiros, resolveu apostar também em filmes.

Em O Gabinete do Dr. Caligari de Robert Wiene, interpreta o sonâmbulo Cesare. Foi o seu papel de grande destaque naquele que é considerado o maior clássico do expressionismo. Impressionando mais uma vez pela entrega ao personagem, Conrad firmou-se definitivamente como profissional, e teve seu nome reconhecido no país. Tornou-se um dos atores mais bem pagos da Alemanha, a obra também deu início a uma série de personagens carregados de tensão.

Opondo-se veementemente à ascensão do nazismo, Veidt saiu da Alemanha em 1933, uma semana depois de se casar pela segunda vez com a judia Felicitas, e tornou-se cidadão britânico. Depois foi para os Estados Unidos, onde continuou a fazer vários filmes de destaque na época. 

Os amigos eram unânimes ao dizer que, apesar de interpretar grandes vilões, ele era um homem pacato, modesto e calmo. No início da década de 40, o ator desfrutava de boas relações e amplo sucesso na América. Teria, sem dúvidas, uma longa carreira. Porém, foi com surpresa que todos receberam a notícia de sua repentina morte em 3 de abril de 1943. O ator estava jogando golfe, um de seus hobbies preferidos, quando sofreu um ataque cardíaco. Tinha apenas 50 anos.

Filmografia disponível no blog: